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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Motores

Os motores são máquinas eléctricas que tem como objectivo transformar a energia eléctrica recebida em movimento. Os mesmos são aproveitados para com o movimento do Carro Eléctrico, gerar uma corrente que se vai opor a esse mesmo movimento – freio eléctrico. Os motores são constituídos fundamentalmente por indutor, induzido, colector e escovas.

Na tracção eléctrica são usados os motores tipo série, em virtude de poderem fornecer um grande binário de arranque.

Motores mais usados:

1. G.E. 270 (General Electric Co.);

2. C.G.E. (Italiano);

3. B.T.H. (The Britsh Thomson-Houston. Lda.);

4. G.E. – 80 – V;

5. D – 53 – V.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Dispositivo de sinalização nos Carros Eléctricos



A Polícia de Segurança Pública do Porto enviou um ofício a 2/11/1957, ao Presidente da Câmara Municipal do Porto chamando a atenção para a adopção de dispositivos de sinalização determinados no Código da Estrada, a serem instalados nos Carros Eléctricos, porque a sua falta está a contribuir para um grande número de acidentes de trânsito e inúmeros protestos dos automobilistas.

O Serviço de Transportes Colectivos do Porto a 21 de Dezembro de 1955 elabora um projecto da instalação de lâmpadas de sinalização de cada lado das caixas dos Carros Eléctricos, afim de chamar a atenção dos outros veículos, da mudança do seu sentido de direcção. O projecto foi enviado para ser analisado pela Direcção Geral dos Serviços Eléctricos.

O sistema é composto por dois circuitos de três lâmpadas de 220V / 40 W, ligados em série. Duas lâmpadas destes circuitos estão colocadas de cada lado dos carros, na parte superior dos extremos das carroçarias, em posição de boa visibilidade para os outros veículos. A terceira lâmpada, que completa a série de cada circuito, está montada dentro da plataforma, junto ao controller de manobra e serve também de lâmpada avisadora, para chamar a atenção do guarda-freio, se o circuito está ou não ligado. O comando do sistema é feito por interruptores, com comando individual para cada circuito.

A Direcção Geral dos Serviços Eléctricos emite um “Título de licença duma instalação eléctrica de serviço público” por despacho de 25 de Maio de 1957 em que é concedida a licença pretendida, mais indicando que a instalação foi vistoriada pela primeira vez em 23 de Julho de 1957 e a sua exploração foi definitivamente autorizada por despacho de 29 de Julho de 1957.

A “Companhia Carris de Ferro de Lisboa” a 26 de Junho de 1956 solicita à Direcção dos Serviços de Transportes Colectivos do Porto as conclusões a que chegaram, visto ainda não terem qualquer solução viável e prática que corresponda às condições que o regulamento fixa para os automóveis ligeiros e pesados.

É indicada a solução descrita no projecto enviado à Direcção Geral dos Serviços Eléctricos e aprovado. Neste ofício, também é referida a exigência das luzes terem de ser intermitentes ou constituídas por braços móveis, mas o sistema era inaplicável e foi resolvido manter o sistema, partindo do princípio que a intermitência pode ser feita manualmente pelo guarda-freio, abrindo e fechado o respectivo interruptor.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Carro Eléctrico


Os Carros Eléctricos são veículos constituídos por um chassis, caixa de madeira, sistema de captação de energia, comandos e accionados por motores eléctricos, que se movimentam sobre carris. Segundo Monterey (1971, p.160), “Os primitivos carros, com 6000 kg de peso, comportavam 30 passageiros. Instalados na parte inferior, dois motores de vinte e cinco cavalos faziam a tracção. Sendo a plataforma demasiado alta, os estribos tinham três degraus”.


O carril usado foi sempre objecto de alteração devido à necessidade de melhorar as suas propriedades mecânicas, nomeadamente a sua resistência à deformação. Como referência temos os carris de calha 38 Kg, 43 Kg, 47,6 Kg, 48 Kg 49 Kg, 53 Kg (massa por unidade de comprimento - Kg/m) e várias outras secções de carril vignol. Todos os novos troços em operação tem o carril de calha NP4AM de secção 62,3 Kg e torneamento das rodas com perfil igual ao utilizado pelo Metro do Porto para uma possível utilização comum das infra-estruturas. A bitola i.é., a distância entre as faces dos carris foi sempre de bitola europeia que é de 1,435 m.

A energia para alimentação vem actualmente da EDP, quando antes era gerada na central da Arrábida, e mais tarde, no ano de 1915, foi transferida para Massarelos. A corrente alterna fornecida, não pode ser utilizada pelos motores dos Carros Eléctricos, ou seja, esta é transformada em corrente contínua a uma tensão de 600 V, estando os motores preparados para a recepção desta corrente. Esta corrente alimenta a linha aérea (catenária) que passa através do trólei para o circuito da instalação eléctrica da viatura escoando através dos rodados para os carris.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ano de maior rede de Carros Eléctricos – 1958


No relatório e contas de 1958 do Serviço de Transportes Colectivos do Porto, é indicado como o ano em que a rede de Carros Eléctricos teve a sua maior dimensão. Contudo, é referido que o Exercício se revelou mais uma vez negativo.

As causas invocadas para o resultado deficitário estão relacionadas da seguinte forma:

• Parque industrial desactualizado, aquando da entrega em 1946.
• Desgaste do material fixo e circulante, devido ao aumento de passageiros e quilometragem percorrida.

O estacionamento ao longo de artérias centrais criou sempre dificuldades à circulação dos Carros Eléctricos, isto devido ao crescente aumento do número de automóveis, com horários afectados, com os tempos de paragem impostos pelos agentes de autoridade nos cruzamentos e longas colunas de automóveis em marcha sobre as linhas, aliada à perda de prioridade do Carro Eléctrico em relação a todos os outros veículos.

O parque de viaturas sofreu uma cuidadosa assistência, tendo-se equipado os carros de grande lotação com novos motores de 68 C.V. . Em 1956, foi autorizada a montagem do sistema de sinalização de mudança de direcção em todos os Carros Eléctricos, pela Direcção Geral de Transportes Terrestres, sendo concluída em 1958.

O consumo anual de cêpos atinge o número de 45000 unidades para uma extensão de rede de 83.987quilómetros e um percurso quilométrico de 14.401.677.

Em serviço, reparação e reserva existe 192 Carros Motores, 20 Carros Atrelados e 31 Zorras Motoras.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Eléctrico


Em 1894, a Companhia Carris, dirige uma petição à Câmara Municipal do Porto para que a tracção animal fosse substituída por energia eléctrica, que teve origem em Berlim no ano de 1879. Obtida a licença no mesmo ano, com confirmação governamental, é inaugurada em 1895 a Central Termoeléctrica da Arrábida.

A 12 de Setembro de 1895 é inaugurada a primeira linha de Carros de Tracção Eléctrica na cidade do Porto, facto que, por vezes é esquecido na história desta Cidade, entre o Carmo e Massarelos – Via Restauração.

O Carro Eléctrico no Porto representou, para a cidade, uma evolução muito importante nas condições de vida da população, permitindo um grande crescimento urbano com a fixação dos habitantes na periferia.

A rede que o STCP recebeu quando do resgate da CCFP era uma rede radial com duas circulatórias (linhas 15 e 20), talvez este sistema possa trazer alguma luz para novos projectos, com uma frota constituída por 193 Carros Eléctricos com 24 atrelados para 38 linhas e cerca de 250 km.

Segundo Pereira, Manuel Castro em “Os Velhos Eléctricos do Porto”, “Os primeiros carros eléctricos do Porto, eram pequenos, com plataformas abertas e bancos longitudinais de madeira, onde se sentavam 18 passageiros frente a frente, eram carros do tipo – risca ao meio – executados a partir de antigos carros americanos dos modelos maiores de 7 e 8 janelas”.

Para Pacheco, Hélder em “O Carro Eléctrico no Porto”, o carro eléctrico “Era o sal das histórias picantes, a doçura das afeições da gente comum, o vinagre do azedume dos que sofriam a sua ronceirice, os seus atrasos e incómodos, a poesia de quem se deleitava com as oportunidades do romance de algumas viagens”.

A condução do Carro Eléctrico sempre foi executada por homens, assim como a cobrança, contudo no ano de 1920 e segundo Monterey, Guido de, “O Porto Origem, Evolução e Transportes”, “A cobrança de bilhetes foi entregue a pessoal feminino, o que causou a maior sensação. Este facto se deveu ao período conturbado de greves que a empresa estava a atravessar”. Somente em 1998 são admitidas mulheres para o conjunto das funções de guarda-freio e cobrador em simultâneo.

A carta de habilitação para exercer a profissão de guarda-freio dos veículos de tracção eléctrica urbana era baseada no Regulamento para a Concessão de Licenças da Direcção dos Serviços de Finanças (Secção de Impostos, Licenças e Aferições), onde ficava registada.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Moção - Pela defesa do "Carro Eléctrico" e sua inovação


Moção

Pela defesa do “Carro Eléctrico” e sua inovação



O enquadramento dos sistemas de transportes, desde o americano ao eléctrico sempre envolveu várias reflexões de grande importância, nas camadas públicas e sociais.

O Porto, centro da Área Metropolitana, cheio de edifícios históricos e de ruas estreitas, ainda permite com alguma imaginação a intervenção física necessária para a implementação de um sistema complementar de transporte eléctrico, versão modernizada do eléctrico histórico da cidade de forma a torna-lo fácil e atractivo para os visitantes e habitantes.

O Sistema de Metro Ligeiro da Área Metropolitana do Porto, projecto que assentou numa versão modernizada do “Eurotram” de Estrasburgo com características que lhe concede grande visibilidade internacional, com a função de transportar grande número de pessoas por hora e sentido, não é o mais indicado para circular no centro da cidade.

Esta solução de transporte público mais atractiva e eficiente poderá contribuir para a diminuição do número de automóveis particulares que todos os dias levam ao congestionamento da cidade e perca de qualidade de vida.

Com o actual sistema em funcionamento, é dado ver por toda a cidade, que o nível de carros estacionados não diminui e está confirmado no relatório de sustentabilidade da STCP, S.A., que com o objectivo de aumentar a qualidade e fiabilidade dos transportes públicos foi criada a “Operação Via Livre”. Nesta operação de combate ao estacionamento indevido e ao longo do ano de 2005 foi efectuado uma média de 460 autos de multa por mês, resultando 90 reboques e 42 bloqueamentos, para além da actuação dos serviços competentes da área de fiscalização.
O afastamento da população residente da cidade pela falta de oferta de condições mais atraentes e oferecidas pelas cidades vizinhas, veio contribuir para o grande aumento de entradas de veículos com o contributo da não existência de parques de estacionamento na periferia.

O sistema de transporte aqui indicado traria para a cidade benefícios de toda a grandeza, nomeadamente o bem-estar das populações pela captação de viagens ao transporte individual, a poupança de energia e melhoramento das condições ambientais na redução de emissão de gases poluentes.

Assim o material circulante indicado – carro eléctrico ligeiro de superfície deverá assentar na defesa dos valores económicos, preocupações sociais, protecção ambiental, inovação e fundamentalmente a acessibilidade por pessoas de mobilidade reduzida.

A compatibilização entre sistemas deverá ser assegurada ao nível de bitola e fonte de energia, a largura do veículo deverá ser reduzida para que seja possível a sua movimentação nas ruas estreitas da cidade.


Face ao exposto e considerando que se consegue com este sistema complementar de transporte a:


- Diminuição do estacionamento;

- Diminuição do tráfego rodoviário;

- Oferta de qualidade de vida urbana;

- Bem-estar das populações pela captação de viagens ao transporte individual;

- Poupança de energia e melhoramento das condições ambientais na redução de emissão de gases poluentes;

- Valorização das actividades comerciais.

Os promotores desta moção decidem apelar pela manutenção do “Carro Eléctrico” histórico na cidade do Porto e que se criem condições para a implementação de um sistema ligeiro e moderno de carro eléctrico.


Maia, 25 de Abril de 2006

Primeiro subscritor

Fernando Pinheiro Martins